ANO PAULINO NA ARQUIDIOCESE
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Ano Paulino |
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Artigos
A missão na Macedônia
O
livro dos Atos dos Apóstolos e as cartas de São Paulo destacam duas cidades
da Macedônia evangelizadas por Paulo e seus companheiros, Filipos e
Tessalônica. Eram ligadas pela estrada chamada Via Egnatia, o que facilitava
as viagens. Filipos foi fundada em 350 antes de Cristo, pelo rei Filipe da
Macedônia, pai de Alexandre Magno, e Tessalônica em 315, pelo general
Cassandro, cunhado de Alexandre Magno, que deu à cidade o nome de sua
esposa, Tessalônica, meia irmã de Alexandre. Essas regiões foram palco de
muitos acontecimentos. Sabemos da importância de Alexandre Magno, que ainda
jovem e, em pouco tempo, conquistou meio mundo, e a influência sobre o povo
de Israel da cultura grega levada por ele às terras conquistadas. Figura de
destaque na Macedônia foi Aristóteles. Nasceu em Estagira em 384 antes de
Cristo e seu pai, que era médico, serviu na corte do rei Amintas, avô de
Alexandre Magno. Em 343, Aristóteles foi chamado por Felipe para ser
preceptor do jovem Alexandre. Foi na planície de Filipos que, no ano 42
a.C., Marco Antônio e Otaviano derrotaram o exército de Bruto e Cássio, os
assassinos de Júlio César. Em honra desta vitória, Otaviano fez de Filipos
uma colônia romana e nela assentou os veteranos da guerra. Tessalônica, por
sua vez se tornou capital da província da Macedônia em 168 a.C. Paulo passa
por várias cidades, mas não pára em todas. O Apóstolo devia ter um olhar
estratégico escolhendo lugares que possibilitassem a difusão do Evangelho.
Detinha-se nas cidades, não no campo, e procurava logo entrar em contato com
a sinagoga do lugar, quando existia. Filipos não tinha sinagoga, Tessalônica,
sim. Depois das amarguras experimentadas em Filipos, os discípulos
missionários não desistem e seguem para Tessalônica. Lá, novas dificuldades
os esperam, mas a evangelização será um sucesso. A palavra é anunciada na
força do Espírito e acolhida na força do mesmo Espírito. Paulo anuncia aos
judeus que, segundo as Escrituras, o Messias devia sofrer e ressuscitar, e
este Messias é Jesus, que ele anuncia. Os Atos narram rapidamente os
acontecimentos de Tessalônica, mas a reação contra os discípulos foi grande,
tanto que se alastrou até Beréia, a cidade para onde Paulo e seus
companheiros de missão se dirigiram saindo de Tessalônica. Mais uma vez são
acusados de perturbar a ordem, de serem revolucionários e agirem contra os
decretos do imperador. Os Atos falam de uma reação judaica. A primeira carta
aos Tessalonicenses dá a entender que os originários do lugar moveram uma
perseguição contra os cristãos nascentes. A reação deve ter vindo tanto dos
judeus como dos gregos. A realidade é que os cristãos, provenientes das
camadas pobres da sociedade, mas agora organizados em comunidade,
tornaram-se uma ameaça aos poderosos do lugar. Os pobres quando se juntam e
tomam consciência da sua dignidade tornam-se uma ameaça porque se ajudam e
já não se deixam explorar. Parece, segundo alguns comentaristas, que os
comerciantes de Tessalônica se sentiram prejudicados com o surgimento de
comunidades solidárias, fortemente fraternas e unidas na mesma fé. Paulo
saiu de Tessalônica, mas saiu preocupado. Foi para Beréia e de lá para
Atenas. Silas e Timóteo ou vão com Paulo ou vão um pouco depois. Paulo,
porém, cheio de preocupação e muito angustiado com o que poderia estar
acontecendo com os novos cristãos, pede a Timóteo que volte a Tessalônica e
verifique a situação, ajude os fiéis e traga logo notícias. Enquanto
aguardava, Paulo ficou em Atenas. A distância entre Atenas e Tessalônica é
de 500 quilômetros. Ida e volta, mil. É possível que Paulo tenha permanecido
dois meses em Atenas. Aqui não houve um verdadeiro trabalho evangelizador.
Não se tem conhecimento de uma comunidade estabelecida nem referências de
Paulo a Atenas. Os Atos falam do discurso no areópago e da conversão de
alguma pessoas, entre as quais Dionísio, o areopagita e uma mulher de nome
Dâmaris.
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2008 - 2009 |