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14/04/2008

 

Para onde aponta a Igreja?

D.Odilo Pedro Scherer

Arcebispo de São Paulo

 

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que congrega todos os bispos católicos do País, esteve reunida em Assembléia Geral de 2 a 11 de abril; não é preciso repassar tudo o que foi tratado, uma vez que isso foi amplamente divulgado pelos meios de Comunicação; e a própria CNBB mostra no seu “site” (cnbb.org.br) os conteúdos da Assembléia, que foi de grande proveito. Os 307 participantes contaram com a ajuda de um numeroso grupo de colaboradores.

 

Assunto principal foram as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Elas retratam os rumos e as preocupações principais que a Igreja tem diante dos olhos, atualmente, e orientarão o trabalho evangelizador nos próximos anos. Valem, antes de tudo, para cada organismo e organização da própria CNBB, mas também para as dioceses e suas comunidades, as pastorais, movimentos, grupos e organizações eclesiais.

 

Para onde aponta a Igreja? Primeiramente, para Jesus Cristo, convidando todos os batizados para um renovado encontro pessoal com Ele, de quem são discípulos e discípulas. Nossa fé, antes de ser a aceitação de uma doutrina,.vem de uma relação com a pessoa de Jesus Cristo e, por ele, com Deus. Somente quando compreendermos a vida cristã como “discipulado”, no caminho de Jesus Cristo, é que poderemos renovar a vida eclesial e ser uma presença cristã dinâmica no mundo. Foi assim que aconteceu com os apóstolos, Zaqueu, São Paulo, os grandes convertidos e santos ao longo da história.

 

As Diretrizes indicam que a Igreja está a serviço da missão do próprio Jesus Cristo, que a chama e envia para prolongar no tempo e estender a sua ação a todos; ela o faz através dos  três grandes serviços de Jesus Cristo à humanidade: anúncio da Palavra de Deus, de muitas maneiras; celebração dos “mistérios de Deus” na Liturgia e na oração, para a santificação do povo; vivência e promoção da caridade pastoral, nas suas múltiplas expressões. E a CNBB indica três âmbitos que deverão merecer nossa atenção especial: a pessoa, a comunidade e a grande sociedade. Aspectos inseparáveis desse agir evangelizador da Igreja deverão ser o diálogo, o anúncio , o serviço da caridade e o testemunho de comunhão.

 

Esta, na verdade, é a razão permanente da existência da Igreja. Mas as Diretrizes da CNBB apontam para uma urgência, que vem sendo sentida fortemente no nosso tempo: a ação missionária. A situação religiosa do Brasil mudou e continua mudando; não podemos mais partir do pressuposto que todos são católicos, transmitem a fé aos filhos e seguem as orientações da Igreja. Oxalá fosse assim, mas não é. Além disso, vários desafios novos, determinados por um mundo mudado, requerem da Igreja e de cada um de seus filhos postura e atuação novas; o fechamento em nossos “redutos” seria uma escolha errada; Jesus enviou seus discípulos para o meio do mundo.

 

Diante disso, para onde aponta a CNBB? Com o Papa e com o Episcopado da América Latina, em Aparecida, ela dá esta diretriz: valorizemos mais nossa fé e a vida eclesial, que são preciosa herança apostólica; e não deixemos de compartilhar o dom recebido com a comunidade humana do nosso tempo, com coragem e alegria; é a nossa contribuição para que o povo viva bem e a cidade dos homens seja melhor. Sempre respeitando e apreciando contribuições de outros grupos, conheçamos e valorizemos nossa própria; temos a certeza de que o Evangelho do Reino de Deus é um bem e faz bem a todos.

 

E mais: precisamos recuperar a dimensão missionária, tão própria à nossa Igreja; a missão não acabou nem perdeu seu sentido e atualidade. As Diretrizes nos orientam para sermos “uma Igreja em estado permanente de missão”. Isso vale para todas as organizações da Igreja, como as dioceses, paróquias e comunidades, as pastorais, movimentos e grupos, as famílias e cada membro da Igreja; mas vale também para a Vida Consagrada, para as instituições e organizações ligadas à Igreja, como as escolas, colégios, universidades e meios de comunicação.

 

O pastor bom, sem descuidar as ovelhas dóceis e bem nutridas, convida-as para buscarem, junto com ele, aquelas que estão longe do redil, vivendo entre ameaças e perigos; e também aquelas ainda não ouviram a voz do Pastor, que deu a vida por todas e quer que vivam.

 

D. Odilo P. Scherer

Arcebispo de São Paulo

14/4/2008

 

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