Home Contato mapa site

Arcebispo

Cúria

Eventos

Guia

História

Imprensa

Notícias

Organismos

Arcebispo da Arquidiocese de São Paulo

agenda
                  

artigos
                  

nomeação
Cardeal

biografia
                        

Consistório
em Roma

Bula
Cardinalícia

download foto

alta

média

baixa

bispos e arcebispos
da arquidiocese

 

Artigos e Pronunciamentos de Dom Odilo Scherer

18/11/2008 - Acordo Igreja e Estado

11/11/2008 - Discípulos e missionários na cidade de São Paulo

08/11/2008 - Pode o homem ouvir Deus?

06/11/2008 - Diante da morte, que é a vida?

06/11/2008 - Carta de Dom Odilo ao prefeito eleito de São Paulo, Gilberto Kassab

04/11/2008 - Fome e sede da Palavra de Deus

27/10/2008 - Feliz quem confia na Palavra de Deus!

21/10/2008 - Deus falou e continua a falar

20/10/2008 - Entrevista: Conclusão do Sínodo

14/10/2008 - Ter a Bíblia e ler a Bíblia

13/10/2008 - Entrevista sobre o Sínodo

08/10/2008 - Sínodo dos Bispos: pode o homem ouvir a Deus?

07/10/2008 - Sínodo dos Bispos Parte 2: Deus falou-nos por seu Filho

mais artigos

 

 

 

 

 

12/08/2008

 

Não mexam na família!

 

No domingo, 10 de agosto, comemoramos o Dia dos Pais e nossas atenções voltaram-se para os pais que, merecem nossa sincera homenagem e apreço. Parabéns aos pais, que assumem corajosamente sua paternidade e se esforçam para proporcionar aos filhos que geraram tudo aquilo que precisam para se desenvolverem como membros dignos da grande comunidade humana. Homenagem também a tantos pais que têm dificuldades para dar aos filhos o que precisam; lembrem sempre que a riqueza maior para os filhos é a presença, o carinho e o bom exemplo do pai. Esta é também a semana da família, promovida todos os anos pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil em agosto, mês das vocações; com isso, a Igreja sinaliza que casar e formar família, além de ser um direito natural de toda pessoa, também é uma “vocação”. Numa visão de fé sobre a existência humana, entendemos que Deus chama, de modo misterioso, o homem e a mulher a viverem o amor humano no casamento e na família e a colaborarem na obra de sua criação, dando vida a novas criaturas humanas. Por isso, a Igreja confirma e abençoa os matrimônios e associa os casais cristãos à sua própria missão na difusão do Evangelho de Cristo. A Igreja proclama que o casamento nos planos divinos é caracterizado pela união entre um homem e uma mulher, que se unem por amor sincero e para toda a vida, estando dispostos também a acolher os filhos gerados nesta união. Sabemos que existem hoje, como sempre existiram ao longo da história, outras idéias a respeito do casamento; e também sempre houve pressão sobre a Igreja para que ela modificasse seu ensinamento sobre o casamento e a família, sobretudo em relação à indissolubilidade (divórcio) e à unidade (poligamia) do casamento. A Igreja, no entanto, mantém-se fiel aos ensinamentos de Cristo: quando lhe perguntaram, se era lícito ao homem divorciar-se de sua mulher, ele respondeu: “não foi assim que Deus quis no princípio... Portanto, não separe o homem o que Deus uniu” (cf Mt 19,8). A Igreja não desconhece as dificuldades e os sofrimentos de muitos casais, que vivem numa união considerada irregular; mesmo não podendo legitimar essas situações, pois estaria agindo contra o ensinamento de Cristo, ela não condena esses casais nem os exclui da participação da vida da Igreja, mas os acompanha com solicitude e os acolhe e encoraja a viverem sua fé naquilo que é possível; e muito é possível! Encoraja também os casais católicos, que vivem juntos sem estarem casados, a procurar sua paróquia para a celebração do casamento diante de Deus e da Igreja. E incentiva os casais jovens a se prepararem bem e a realizarem com plena consciência e responsabilidade o seu casamento. É preocupante que o casamento religioso esteja sendo valorizado sempre menos, até nas famílias católicas! É um valor importante da fé e da vida cristã que está sendo deixado de lado. Atualmente, há novas pressões sobre o casamento e a instituição familiar. No Brasil está sendo elaborado o Estatuto das Famílias (Projeto de Lei nº 2285/2007), com alguns aspectos preocupantes. Não há dúvida que a família deve merecer as atenções do Estado e dos seus poderes representativos; a elaboração desse Estatuto, no entanto, precisa ser acompanhada de maneira atenta pela sociedade e as organizações familiares ligadas à Igreja; a família natural não deveria sair descaracterizada, nem deveriam ser perdidos os princípios  fundamentais que regem a família humana. Se todas as formas de união e de não-união forem igualmente consideradas família, ficará prejudicada e comprometida a família natural e poderemos ter conseqüências enormes para a convivência humana. O próprio Estado acabará por assumir atribuições que cabem, normalmente, à família; e sabemos bem que o Estado não é pai nem mãe ou irmão, nem dá carinho a ninguém. A família natural, formada a partir da união de um homem e de uma mulher, cumpre uma função social e humana insubstituível. A sabedoria experimentada pelo tempo ensina que a família é a célula básica da sociedade; se for amparada no ordenamento jurídico e por boas políticas públicas, ela assegura de maneira eficaz a saúde do corpo social. Poderíamos dizer também que a família é a “célula tronco embrionária” de todo o corpo social; ela tem um potencial enorme e dela derivam a vitalidade e o dinamismo de todo os organismos da comunidade humana. Mas se esta célula for mexida e descaracterizada e se passarmos a experimentalismos com o casamento e a família, ninguém sabe onde isso vai acabar. É melhor respeitar a natureza instituição familiar e ampará-la devidamente, para que possa desenvolver-se e assumir bem aquilo que é próprio dela.

 

São Paulo, 12/8/08

 Card. Dom Odilo Pedro Scherer

Arcebispo de São Paulo

fonte: Jornal O São Paulo

 

 

Contato:

Avenida Higienópolis, 890

01238.908 - São Paulo - SP

Fone: (11) 3826.0133 - R. 234/237 Fax (11) 3825.4414

E-mail: vicariatocom@uol.com.br