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18/08/2008

 

Nossa Catedral

Nossa Senhora da Assunção

 

O terceiro domingo de agosto, mês das vocações no Brasil, é dedicado ao chamado à vida consagrada religiosa. Desejo manifestar minha alegria pela presença de tantas comunidades de vida consagrada em nossa arquidiocese e a gratidão pela sua colaboração na missão da Igreja em São Paulo. Deus os abençoe e lhes conceda muitas vocações e uma renovada alegria no testemunho da vida nova do Evangelho em nossa cidade.

 

Neste mesmo domingo também celebramos a solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao céu; no Brasil, a celebração litúrgica da festa é transferida do dia 15 de agosto para o domingo seguinte. A Igreja creu desde muito cedo que a Virgem Maria, mãe do Filho de Deus, nosso Salvador e vencedor da morte, foi associada intimamente à sorte de seu Filho na vida, na morte e na ressurreição; por isso, seu corpo também não experimentou a corrupção da morte e já está glorificado no céu.

 

É por isso que o papa Pio XII, em 1954, depois de consultar os bispos sobre a consistência dessa fé nas comunidades eclesiais do mundo inteiro, proclamou que a elevação de Maria ao céu faz parte da fé da Igreja de Cristo. É uma verdade bonita e cheia de significado, que aponta para a plenitude da obra salvadora de Cristo, pela qual  o ser humano integral, corpo e alma, participará na glória celeste. A assunção de Maria ao céu lembra a salvação de Deus prometida ao homem significa vitória completa sobre a morte e vida em plenitude.

 

De fato, a mensagem do Evangelho do reino de Deus, testemunhada pela fé da Igreja, leva totalmente a sério a aspiração profunda do ser humano à vida; Deus não nos fez para a morte, mas para a vida e, mesmo que tenhamos que morrer para a vida neste mundo, o poder e a misericórdia salvadora de Deus não são limitados pela morte; na ressurreição de Jesus, Deus mostrou ao ser humano que a meta é passar da morte  para a via em plenitude. Portanto, olhando para a Virgem Maria elevada ao céu em corpo e alma, a Igreja e todos os seus filhos já podem reconhecer na Mãe de Jesus a imagem realizada daquilo que ainda buscamos e também esperamos alcançar, pela graça e o poder de Deus.

 

Nossa Senhora da Assunção é sinal de esperança segura para a Igreja e toda a humanidade; nela, Deus revelou o seu desígnio criador e salvador para toda a criação. Maria na glória celeste também é motivo de consolação e estímulo para a nossa perseverança nos caminhos do Evangelho. Ela, junto de seu Filho ressuscitado e glorificado, continua sendo Mãe da Igreja e de toda a humanidade; ela está plenamente interessada no bem de todos e intercede junto de Deus para que também nós obtenhamos graça e salvação.

 

Nossa catedral metropolitana tem o título de Nossa Senhora da Assunção; historicamente, essa denominação está ligada ao ano da inauguração da catedral, pelo Cardeal Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta; em 1954 também foi proclamado o dogma da Assunção de Maria ao céu. Por isso, todos os anos, a solenidade da Assunção é celebrada como festa patronal na nossa catedral da Sé, que é a igreja-mãe de todas as outras igrejas da arquidiocese, por ser a “cátedra” do bispo da diocese; daí vem, justamente, a sua denominação como igreja-catedral.

 

O aniversário da dedicação da catedral transcorre todos os anos no dia 5 de setembro; a liturgia prescreve que a dedicação seja celebrada todos os anos, nessa mesma data, como solenidade na própria catedral e, como festa, nas outras igrejas da arquidiocese. Esta prescrição litúrgica é muito salutar para manter vivo e cultivar em todas as comunidades o significado simbólico e religioso das igrejas.

 

No próximo dia 5 de setembro, também faremos a dedicação do novo altar da catedral Nossa Senhora da Assunção; de fato, ainda falta o altar correspondente à reforma litúrgica do Vaticano II e que tenha as características prescritas pelas normas litúrgicas; com o altar, também serão inaugurados o ambão para a proclamação da Palavra de Deus e a cátedra do bispo. Desta forma, a data da dedicação da catedral e de seu novo altar será a mesma.

 

Faço, portanto, o convite ao clero, aos religiosos/as e a todo o povo para essa bela e significativa celebração na nossa catedral no dia 5 de setembro às 19h. Será mais um marco do centenário da arquidiocese e do Ano Paulino.

 

 

São Paulo, 18/8/08

 Card. Dom Odilo Pedro Scherer

Arcebispo de São Paulo

fonte: Jornal O São Paulo

 

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