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09/09/2008

 

Preparando o décimo Plano de Pastoral

 

Aos poucos, o décimo Plano de Pastoral da Arquidiocese de São Paulo vai tomando forma. Sua elaboração já passou por várias fases; agora que o texto já está elaborado, deverá ir logo para as mãos dos Coordenadores de Pastoral nas Regiões Episcopais e Setores, para ser examinado e receber novas sugestões para melhorar a proposta do Plano; finalmente, ele deverá ser submetido à Assembléia Arquidiocesana de Pastoral dia 8 de novembro deste ano, para a aprovação.

 

O 10° Plano terá a função de ajudar-nos a “ser Igreja discípula e missionária em São Paulo”; será uma proposta articulada para a vida e a missão da Igreja no ambiente da metrópole paulistana, onde estamos mergulhados; nossa presença e atuação devem ter as características da “pastoral urbana”, pois somos uma “Igreja na cidade”.

 

O 10° Plano segue o método ver-julgar-agir. No “ver” nos defrontamos com as realidades eclesiais, históricas, culturais e sociais que estamos vivendo em São Paulo. A Conferência de Aparecida, as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora, da CNBB, o Centenário da Arquidiocese, o Ano Paulino, a situação e a atuação da Igreja nos vários ambientes da cidade são alguns aspectos do ver; mas é claro que também estão contemplados os múltiplos aspectos próprios da cidade de São Paulo, com seus desafios e possibilidades; este é o “campo da missão” da nossa Igreja.

 

O “julgar” apresenta os elementos orientadores e iluminadores da vida e da missão da Igreja em São Paulo. A pessoa de Jesus Cristo, profeta, sacerdote e pastor, e seu Evangelho são os referenciais permanentes para aquilo que a Igreja deve ser e fazer, ou tem a dizer na cidade. Ele é o Senhor da Igreja e o Supremo Pastor, que reúne seu povo, faz discípulos e caminha à frente deles. A Igreja é servidora de Jesus Cristo e do Evangelho do Reino de Deus por ele anunciado.

 

As orientações da Conferência de Aparecida, por outro lado, nos ajudam a definir melhor nossas prioridades e métodos para os próximos anos: uma atitude nova, para sermos uma Igreja em estado permanente de missão; isso requer a conversão pastoral de nossas organizações e, mais ainda, de nossas pessoas e das nossas atividades pastorais. Como cristãos, precisamos entender-nos sempre mais como “discípulos em missão”, para levar a vida nova de Cristo às pessoas, à comunidade e à sociedade.

 

O “agir” está orientado claramente pela preocupação em sermos discípulos na cidade de São Paulo, que é nosso “campo de missão”. Diversas são as tarefas que decorrem da missão confiada por Cristo à Igreja nesta cidade imensa. Antes de tudo, o Evangelho precisa ser anunciado, de muitas maneiras, aos que crêem e também aos que não crêem; devem ser nossa preocupação constante a pregação, o ensinamento da fé, a pastoral bíblico-catequética, a formação aprofundada dos cristãos e o anúncio profético do Evangelho do Reino de Deus também nos muitos “areópagos” da cidade.

 

Além disso, como discípulos-missionários de Cristo, temos a missão da glorificação da Deus e da santificação mediante o testemunho da vida segundo o Evangelho e da celebração dos Santos Mistérios; nossas pessoas, igrejas, casas paroquiais, conventos, escolas, obras sociais e demais espaços e iniciativas ligados à Igreja precisam ser sinais claros de que Deus habita esta cidade e lugares de acolhida e de encontro do povo com Deus. O valor simbólico e sagrado da Igreja precisa ser destacado.

 

Mas o agir também contempla o horizonte amplo da caridade e da esperança; como discípulos-missionários de Jesus Cristo, precisamos viver concretamente o amor ao próximo no empenho pela justiça social e pelo respeito à vida e à dignidade humana, na participação ativa da edificação da convivência humana na solidariedade, na paz e na assistência direta aos irmãos mais necessitados, doentes, pobres e excluídos.

 

Isso ainda não é tudo e pretendo voltar ao assunto na próxima semana. Mas qual será o elemento novo do 10° Plano? Muitas coisas podem ser novas, mas creio que o novo deverá ser, de fato, nossa atitude e a consciência eclesial, passando de uma Igreja “estabelecida” para uma Igreja que se assume sempre mais como missionária. Isso requer a conversão pastoral desejada em Aparecida. Também isso é novo e, talvez, o mais difícil de fazer. Mas o apóstolo São Paulo nos encoraja e olharmos para frente com coragem e perseverança! Ele interceda por nós!

 

Card. Odilo P. Scherer

Arcebispo de S.Paulo

9/09/2008

 

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