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Arquivo foi fundado em 1918

Prédio do Arquivo Metropolitano, no Ipiranga,
fundado pelo 1º arcebispo de São Paulo, dom Duarte

 

O Arquivo Metropolitano foi fundado em 1º de abril de 1918 pelo primeiro arcebispo de São Paulo, dom Duarte Leopoldo e Silva, e desde 1984 funciona no Ipiranga (avenida Nazaré, 993), na zona sul. O SÃO PAULO ouviu o atual presidente do Arquivo, cônego Martin Segú Girona, em entrevista que segue:

 

O SÃO PAULO – O Arquivo Metropolitano tem praticamente a idade da nossa Arquidiocese, não?

Cônego Martin Segú Girona – Foi fundado pelo primeiro arcebispo, dom Duarte Leopoldo e Silva. Por isso, o Arquivo tem o nome dele. Dom Duarte tinha uma visão quase que profética e não quis apenas juntar documentos, mas fazer a história da Igreja de São Paulo. Como São Paulo naquela época era muito abrangente – os limites da diocese iam até quase o Rio Grande do Sul, e dom Duarte já tinha vindo para São Paulo como arcebispo de Curitiba –, ele teve o cuidado de pegar todo o acervo e reuni- lo num arquivo. De forma que temos coisas preciosas no Arquivo que servem para pesquisa científica. Volta e meia, tem gente da USP fazendo teses de história e teses sociológicas a respeito, por exemplo, da libertação dos negros, da caminhada da negritude. Temos documentos de filhos de escravos e da libertação deles. Temos documento da própria fundação da Arquidiocese de São Paulo em livros de tombo e outros assentamentos. Então, a história viva de São Paulo está toda resumida no Arquivo Metropolitano.

 

O SÃO PAULO – No passado havia na Igreja uma preocupação maior com o registro e a conservação dos documentos em vista do futuro?

Cônego Segú – Estamos promovendo cursos de arquivística, e a aceitação tem sido muito grande. Está em andamento, por exemplo, um curso para religiosas. É verdade que a sensibilidade está mais nos religiosos do que nos [padres] seculares [não pertencentes a congregações], que parecem ter esquecido que algumas coisas são importantes, como o livro do tombo. Muita coisa rica na caminhada libertadora da Igreja se perde, até porque a turma tem uma grande modéstia, não querendo registrar o que realizou de importante, ou então não tem tempo.

 

O SÃO PAULO – Um arquivo como o da Arquidiocese, então, não tem unicamente a finalidade de registrar o passado, mas projetar o futuro a partir do registro das raízes.

Cônego Segú – Sim. O Arquivo registra as raízes e a caminhada da Igreja. No Arquivo, por exemplo, temos a parte das fotografias, das plantas de nossas igrejas, temos os assentamentos de batismo, crisma e matrimônio. Temos documentos importantes da própria história da Igreja.

 

O SÃO PAULO – E como é administrado o Arquivo? Cônego Segú – Através de um decreto do cardeal [dom Paulo Evaristo] Arns, o Arquivo Metropolitano foi confiado ao Cabido Metropolitano de São Paulo. Então, o presidente sempre é um cônego eleito pelo próprio Cabido, e o mandato dele é de três anos. Nesta minha gestão, conseguimos fazer, além dos estatutos que o Cabido já havia feito, o regimento interno. Conseguimos reunir também os “Amigos do Arquivo”, estamos registrando a memória dos cônegos atuais, o que custa dinheiro. Através dos cursos que realizamos, estamos conseguindo manter o Arquivo. Não totalmente, é claro, mas para o dia-a-dia dá para se manter.

 

O SÃO PAULO – Existe na grade curricular da formação dos futuros padres alguma disciplina relacionada com o registro da história das paróquias e dioceses?

Cônego Segú – Infelizmente, chegamos a esse ponto. Existe na pós-graduação do Direito Canônico uma matéria específica. Isso se faz necessário por conta das questões da Cúria e do Tribunal Eclesiástico. O que é feito precisa ser registrado. Existe uma outra matéria que indiretamente se relaciona com o arquivo, que é história eclesiástica. O padre Nei, por exemplo, tem a preocupação de levar os alunos para o Arquivo. Oficialmente, porém, não existe uma matéria específica. Está começando em Roma uma faculdade de arquivística. Nós aqui estamos nos servindo de especialistas em história, em estatística, sociologia, economia, meios de comunicação para chegarmos a uma visão de conjunto. No curso que estamos dando para religiosas, abordamos fotografia, mídia, informática.

 

O SÃO PAULO – Estão acontecendo cursos para as secretárias paroquiais?

Cônego Segú – Esses cursos são feitos em quatro módulos diferentes em comunhão com o Instituto de Direito Canônico. Normalmente se aborda a parte sacramental, não apenas de assentamentos, mas de impedimentos matrimoniais. Particularmente se acentua a importância do documento para o fiel. Porque temos tido no Tribunal Eclesiástico casos de bigamia e até mais do que isso por falta de conhecimento, porque o indivíduo se divorcia no civil e pensa que automaticamente pode casar no religioso. Como alguns se esquecem de assentar o que deve ser assentado, acontece que a pessoa apresenta uma certidão de batismo limpa, mas ela já foi casada. As secretárias que têm feito o curso estão gostando muito.

 

O SÃO PAULO – O Arquivo é aberto ao público?

Cônego Segú – É aberto a todos para pesquisa ou para as necessidades que se tenha. De segunda a sexta-feira, das 13h às 15h30, pode ser freqüentado gratuitamente.

 

fonte: Jornal O São Paulo

 

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