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Dom Duarte fundou Seminário do Ipiranga

Vista do Seminário do Ipiranga na década de 1930;

casa de formação foi fundada por dom Duarte

 

 Vinte e um anos após a criação da Arquidiocese de São Paulo, no dia 19 de março de 1929, aquele que seria o segundo arcebispo, o então padre José Gaspar de Affonseca e Silva, mestre de disciplina no Seminário da Freguesia do Ó, hoje casa dos seminaristas que cursam filosofia, fez uma bela homilia na missa de lançamento da pedra fundamental do que seria o futuro Seminário Central do Ipiranga.

É bom que se registre que o doador do terreno foi o conde José Vicente de Azevedo, um homem de profundo espírito de fé e amor pela Igreja e pelos pobres. Sua fé fez dele um cristão fervoroso, devoto de Nossa Senhora Aparecida, tendo sido o compositor do hino oficial da padroeira do Brasil. O amor do conde José Azevedo pela Igreja se deduz do fato de ter pensado na formação dos padres e oferecido o terreno da futura casa de formação do clero.

E o seu amor pelos pobres está proclamado na imensa lista de doações de terrenos e de fundação de institutos voltados para o socorro dos enfermos, das crianças, dos idosos. As casas religiosas que se enfileiram pela avenida Nazaré dão prova da generosidade deste homem ilustra.

Foi o conde José de Azevedo que trouxe para São Paulo aquela que seria a primeira santa brasileira, madre Paulina do Coração Agonizante de Jesus. Confiou a ela a casa da Sagrada Família, destinada ao acolhimento das crianças filhas e netas de escravos.

Em 1928, foi feita a doação do terreno para o seminário, uma área de 32 mil metros quadrados. Em longa carta datada de 19 de abril de 1928, dom Duarte reconhece a generosidade do doador, mas fala de sua dificuldade em dar início às obras e pede um prazo de oito ou dez anos para dar início às obras. Consegue o prazo. A pedra fundamental foi lançada solenemente em março de 1929 e o seminário inaugurado no dia 9 de março de 1934.

Num texto comemorativo dos 150 anos da formação sacerdotal na Igreja em São Paulo, foi registrada um pouco a história do seminário do Ipiranga. Este, com os seminários menores de Aparecida e São Roque, que viriam anos depois, continuaram o trabalho dos frades franciscanos, iniciado no prédio e na capela de São Cristóvão, na avenida Tirandentes e dos padres premonstrantese em Pirapora. O texto lembra que o seminário passou a ser “o grande pólo formativo para os futuros sacerdotes do Brasil”.

Em 1934, o seminário contava com 132 alunos, tornado-se “seminário central” por acolher seminaristas das dioceses do Estado de São Paulo do Rio de Janeiro e de muitas outras dioceses do Brasil. Sobre a inauguração do seminário e da sua caminhada, diz o texto comemorativo dos 150 do seminário em São Paulo:

“A inauguração ocorreu no dia 9 de março de 1934. Foi um grande evento para a Diocese de São Paulo. Dom Duarte Leopoldo e Silva vê sua grande obra erguida e se preocupa com sua administração e formação, porém participa apenas quatro anos de sua existência e vem a falecer em 13 de novembro de 1938. Ressurge um novo bispo para a diocese de São Paulo, o zeloso vice-reitor do Seminário Central, padre José Gaspar D’Afonseca e Silva. Grande foi o seu carinho pelo seminário; foi o responsável pelo 4º Congresso Eucarístico Nacional, mas um grave acidente interfere em seus projetos, e vem a falecer em 27 de agosto de 1943. Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta (1944 – 1964) empenhou-se em organizar uma Universidade Católica, o que aconteceu com a criação da Pontifícia Universidade Católica (PUC) em 1946. Quis também uma Faculdade de Teologia anexa ao Seminário Imaculada Conceição, a qual foi autorizada pela Congregação dos Seminários e Universidades em 20 de setembro de 1949 e instalada em 7 de março de 1950 sob o pontificado do papa Pio 12. A Faculdade se regeu, desde então, pela Constituição Apostólica Deus Scientiarum Dominus, utilizando-se por um longo período dos manuais de filosofia e Teologia da Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, escritos em latim. Dom Carlos Carmelo Vasconcelos Motta desejou a faculdade com o objetivo de melhor formar os padres e para que soubessem enfrentar o mundo moderno, secularizado e ateu.

Em 1976, Dom Paulo  Evaristo Cardeal Arns (1970 -1998), deu uma nova estruturaçãoaos seminários na Arquidiocese de São Paulo, reunindo os seminaristas em  Casas de Formação localizadas nas Regiões Episcopais. Essa modalidade durou até 1994, quando então os seminaristas foram novamente agrupados de acordo com os vários níveis da formação presbiteral, propedêutico, filosofia e teologia. Desde o arcebispado docardeal dom Cláudio Hummes, entre maio de 1998 até outubro do ano passado, o Seminário Maior Imaculada Conceição está assim organizado: Seminário Propedêutico Nossa Senhora da Assunção, destinados a acolher os candidatos oriundos do curso colegial e que foram encaminhados pela pastoral vocacional; Seminário Propedêutico Beato Frei Galvão, destinado a receber vocacionados adultos e egressos de congregação ou ordem religiosa; Seminário Santo Cura D’Ars, que forma os seminaristas em filosofia e o Seminário de Teologia Bom Pastor, que os forma em teologia.

O edifício inaugurado por dom Duarte Leopoldo e Silva consta em suas dependências atualmente a Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, a UniFai, o Instituto de Direito Canônico Padre Giuseppe Pegorano, a Casa São Paulo e o novo Seminário de Teologia Bom Pastor, inaugurado por dom Cláudio Hummes.

 

fonte: Jornal O São Paulo

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