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Centenário da Arquidiocese de São Paulo |
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Monsenhor Trivinho conta detalhes sobre o primeiro
arcebispo
Monsenhor Trivinho, que nasceu 3 anos após criação da Arquidiocese
Felizmente a história dos inícios de nossa Arquidiocese está bem documentada. Não faltam no Arquivo Metropolitano de São Paulo documentos relatando o trabalho imenso de dom Duarte Leopoldo e Silva para colocar a nova Arquidiocese no rumo do futuro. Dom Duarte cunhou no seu brasão episcopal o lema que iria nortear se ofício de pastor. “Firmitas et auctoritas” – Firmeza e autoridade. De fato, foi com firmeza e autoridade que ele cuidou de tantas coisas, como organizar o Arquivo Metropolitano, tocar as obras da Catedral da Sé, construir o Seminário do Ipiranga, acolher congregações religiosas, criar novas paróquias e tantas outras realizações que atravessaram o século 20 e agora se lançam pelo século 21 afora. Se não faltam documentos relatando a firmeza e a autoridade de dom Duarte, também não faltam testemunhas vivas do seu episcopado. Uma delas é monsenhor Antonio Trivinho, que por um mês secretariou o primeiro arcebispo e depois colaborou com os demais que vieram depôs. Cônego Trivinho, nasceu no dia dez de março de 1911, três anos depois da elevação da diocese de São Paulo a Arquidiocese. Em 1924 ele entrou para o seminário de Pirapora. Em dezembro de 1936, ordenou- se padre. Portanto, dos cem anos da Arquidiocese ele viveu e participou ativamente da caminhada dela 89 anos. O jornal O SÃO PAULO tinha que ouvir monsenhor Trivinho. E ouviu! Para ele, se existe alguém que escolheu um lema de vida e o viveu intensamente foi o primeiro arcebispo de São Paulo. “Firmeza e autoridade” era o lema. “E ele foi homem de muita firmeza e autoridade” garante monsenhor Trivinho, e já vem logo com uma história curiosa. Foi assim: Durante a revolução de 1932, para circular pelo Estado de São Paulo era necessário um salvo conduto. Em certa ocasião, dom Duarte Leopoldo e Silva descansava numa casa de veraneio da Arquidiocese, em Santos. Monsenhor Trivinho estava com ele. Subindo de carro para São Paulo, um soldado pára o carro e pede o documento. O jovem Trivinho, sem o seu salvo conduto, tenta explicar ao soldado que ali estava o arcebispo de São Paulo. A arcebispo pergunta então: “O que o soldado quer?” “O salvo conduto, explica Trivinho. Eu esqueci em Santos.” E o arcebispo: “Voltemos para pegá-lo. Lei é lei!” “Outra vez, diz monsenhor Trivinho, eu estava ajudando-o numa missa. De repente percebi que ele tinha pulado um trecho da missa. Com muito receio avisei a ele: ‘Dom Duarte, o senhor pulou um trecho da missa’. ‘Não pulei, não!’ retrucou ele. Ele consultou, porém, o missal e prontamente declarou: “Pulei sim!” E voltou ao trecho que tinha pulado. Homem fino, bem educado, dom Duarte sabia também ser sensível. Conta monsenhor Trivinho que as refeições no palácio episcopal e na casa de veraneio em São Vicente eram feitas com requinte e fineza, fato que o deixava muito acanhado e... com fome. Certa noite, após um daqueles jantares mais refinados, o jovem seminarista, de noite, fez uma incursão na cozinha com outro colega. Estavam eles matando a fome quando entra o arcebispo e os flagra assaltando a cozinha. “Desculpem- me, disse dom Duarte, vim pegar um copo d´água, porque me dói a cabeça.” No dia seguinte, durante o almoço diz dom Duarte: “Rapazes, vocês precisam se alimentar direito e sem receio, se não terão que ir à cozinha de noite para matar a fome”. Homem de fé, dom Duarte, durante as férias, saía de carro pelas cidades de São Vicente. Cada vez que passava por uma Igreja, religiosamente ele dizia ao “chofer”: “Pare aqui! Vou fazer uma visita ao Santíssimo.” “Um dia ele entrou numa igreja no momento em que o padre fazia o sermão. “O pobre padre ao ver o arcebispo na sua igreja não conseguiu mais falar. Perdeu totalmente o fio da meada.” Monsenhor Trivinho conta mais um fato curioso. “Grande pregador, dom Duarte escrevia os seus sermões e os decorava. Certamente no Arquivo podem ser encontrados seus sermões.” E monsenhor Trivinho acrescenta: Tímido como eu era, assim que me ordenei padre, dois anos antes de dom Duarte morrer, fui a ele e falei de minha dificuldade em falar em público. E ele me aconselhou: “Escreva seus sermões e os decore!” Monsenhor Trivinho conclui: “Dom Duarte foi o arcebispo certo para a Arquidiocese que começava. Era o tempo dos barões do café e ele soube lidar com eles para o bem da Igreja”.
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