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Dom Duarte fala sobre a criação da Arquidiocese

 

Nada melhor para saber das razões que levaram à transformação da  diocese de São Paulo em Arquidiocese, cem anos atrás, do que ouvir o próprio mentor e concretizador do projeto, dom Duarte Leopoldo e Silva, o último bispo da diocese e primeiro arcebispo da Arquidiocese. O SÃO PAULO entrevista aqui dom Duarte. Suas respostas nós a encontramos em sua carta pastoral para anunciar que o papa havia assinado o decreto tão esperado. O SÃO PAULO – Dom Duarte, o que o levou a solicitar a criação da Província Eclesiástica e a Arquidiocese? Dom Duarte Leopoldo e Silva – Pois é, “tratava-se, com efeito, de dar corpo a uma idéia há muitos anos acariciada. Tratava-se de constituir uma nova província eclesiástica, onde um único bispo mal podia sopesar a responsabilidade de tantos encargos . Tratava-se de impulsionar esse valente movimento religioso que  tem feito de São Paulo um baluarte de fé e de piedade, de multiplicar, enfim, os centros de atividade católica, com desdobrar em seis a vastíssima diocese de São Paulo. O SÃO PAULO - Este projeto o senhor o concebeu assim que assumiu a diocese, em 1903, vindo da Diocese de Curitiba? Dom Duarte – Sim. Apenas chegado, compreendemos, de relance, a necessidade de dividir para governar, que este é o lema dos fortes, e o não poderíamos recusar para escudo da nossa fraqueza. O SÃO PAULO – A proposta era a criação de cinco novas dioceses. Como as cidades escolhidas  acolheram essa idéia? Dom Duarte – Com entusiasmo pela população em peso das cinco cidades – Taubaté, Campinas, Botucatu, São Carlos e Ribeirão Preto – a que se destinavam as novas sedes episcopais, mais prontamente do que se pensava. Vimos por toda parte triunfante a nossa  causa, que é a casa de Deus e da Igreja. O SÃO PAULO – Tudo bem. Mas foi preciso ir a Roma, não é assim? Como o papa acolheu a idéia? Dom Duarte – É... os últimos retoques de uma obra tão bem começada reclamaram, por fim, a nossa presença em Roma, onde o santo padre nos acolheu com paternal benevolência, dispensando a todos da Diocese de São Paulo favores e bênçãos inestimáveis. E ali, onde as coisas se fazem com a máxima ponderação e prudência, tudo se resolveu em pouco mais de dois meses, ficando definitivamente assentada a constituição da nova Província Eclesiástica de São Paulo segundo  o plano proposto. O SÃO P A U L O – O decreto o papa foi  datado de 7 de junho de 908. O que  se lê nesse decreto? Dom Duarte – Que a Diocese de São Paulo foi elevada à categoria de Arquidiocese, tendo por sufragâneas a Diocese de Curitiba, desanexada da Província de São Sebastião do Rio de Janeiro, e as cinco novas dioceses de Taubaté, Campinas, Botucatu, São Carlos e Ribeirão Preto, ficando anexo à Arquidiocese, como parte integrante do seu território, o Santuário de Nossa Senhora Aparecida. O SÃO PAULO – Curioso. Mesmo situando-se fora do território da Arquidiocese, o santuário ficou ligado a ela? Dom Duarte – Sim. Elevado, por decreto especial da Sagrada Congregação dos Ritos, à categoria de Basílica Menor, o Santuário de Aparecida continuaria, como um patrimônio sagrado de toda a Província, perdendo, pois, o seu caráter puramente  local. É uma honra para o nosso tradicional e devotíssimo santuário que, assim colocado em maior evidência, porventura se tornaria o ponto convergente de toda a nação brasileira. O SÃO PAULO – Palavra proféticas, dom Duarte. Na próxima edição queremos ouvir mais sobre outras decisões do  papa ue acompanharam  a mudança tão importante da nossa querida diocese em Arquidiocese de São Paulo.

 

 

Padre Cido Pereira/Jornal O São Paulo

 

fonte: Jornal O São Paulo

 

 

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