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Centenário da Arquidiocese de São Paulo |
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Dom Odilo recebe o pálio 88 anos depois de dom Duarte
A
história atesta que determinadas iniciativas da
Igreja são ditadas pelo contexto histórico em
que elas são tomadas e pela preocupação da Igreja em
dar resposta aos desafios de sua missão
evangelizadora. É assim no presente, quando a Igreja
em São Paulo, após revisitar a cidade para mostrar e
avaliar sua presença, como fez dom Cláudio Hummes,
quer agora dar um "sim" corajoso à convocação do
Santo Padre e sair em missão, convidando a todos os
fiéis desta cidade a se tornarem discípulos de
Cristo e a passar do discipulado à missão. Foi assim
no passado também. Foi assim cem anos atrás, quando
a preocupação com a extensão geográfica, com a
industrialização que já começava a agitar a cidade,
com a mudança na visão do mundo, com a grande cidade
que São Paulo já era e que já anunciava que seria
fez da diocese de São Paulo uma arquidiocese. Dom
Duarte Leopoldo e Silva, de vigário incansável da
paróquia de Santa Cecília, se tornaria bispo de
uritiba. Após três anos de bispado em Curitiba
(1904- 1907), tornou-se bispo de São Paulo
(1907-1908). Em 1908, por pedido dele e por decreto
do Papa Pio 10º, ele se torna o primeiro arcebispo,
cargo que ocuparia por mais 30 anos, até 13 de
novembro de 1938, quando faleceu. A irmandade de São
Pedro dos Clérigos, que na segunda-feira, 25 de
julho, se reuniu em assembléia eletiva, teve seus
estatutos remodelados, por iniciativa do arcebispo
que via nela o que sempre foi: uma instituição
voltada para a assistência matéria e espiritual aos
padres. Como arcebispo, dom Duarte entendeu que já
era tempo mesmo de se pensar numa majestosa e bela
catedral. Coube a ele lançar a pedra fundamental da
mesma no dia 6 de julho de 1913. A Igreja em São
Paulo marcou presença e fez história movimentando os
fiéis em inúmeros Congressos que reuniam o Povo de
Deus, a juventude, os participantes em associações
cristãs. E quando a gripe espanhola de 1918 de forma
epidêmica vitimou a população o arcebispo organizou
e dirigiu um Serviço de Assistência Domicilar. Será
ele também a organizar o Arquivo Metropolitano,
consciente de que a caminhada da Igreja precisa ser
registrada e documentada e esses registros precisam
ser conservados. Congregações, ordens religiosas e
associações cristãs se instalaram na Arquidiocese,
como as sacramentinas em 1921, o convento das
carmelitas nas perdizes. As dioceses de Campinas,
Taubaté, São Carlos, Botucatu e Ribeirão Preto e
mais tarde Santos e Sorocaba, nasceriam como fruto
da preocupação de Duarte em tornar a Igreja mais
próxima do povo. O primeiro arcebispo presidiu
também uma Comissão das Vítimas da revolução de
1924, inaugurou a Fundação de Assistência à
Infância, promoveu o primeiro Congresso da Mocidade
Católica em 1928 e o Congresso Mariano em 1929 e o
Congresso do Centro dom Vital em 1932. O Mosteiro
das Carmelitas de Mogi das Cruzes em 1932, a Centro
de Estudos e Ação Social, Pontifícia
Universidade Católica, são tantas outras realizações
de dom Duarte. A formação do clero não foi esquecida
pelo arcebispo e a Arqudiocese ganhou o Seminário
Central do Ipiranga. Enfim para se perceber a
preocupação com a evangelização da cidade, dom
Duarte à frente da Arqudiocese criou 43 novas
paróquias. No livro "A caminhada da esperança" de
Lourenço Diaféria, publicado em 2004, para comemorar
os 250 anos da Igreja em São Paulo, um longo
capítulo é dedicado ao último bispo e primeiro
arcebispo de São Paulo. Diz Diaféria em um dos
parágrafos de seu livro relata: No dia 7 de junho de
1908, o papa Pio X assina o decreto que cria a
Província Eclesiástica de São Paulo. São Paulo passa
a ser Arquidiocese, com cinco dioceses sufragâneas:
Taubaté, Campinas, Botucatu, São Carlos e Ribeirão
Preto. Dom Duarte Leopoldo e Silva torna-se o
primeiro arcebispo metropolitano de São Paulo. A
criação do Arcebispado é anunciada oficialmente pelo
núncio apostólico dom Alexandre Bavona em 18 de
setembro. Dom Duarte toma posse como arcebispo ainda
na velha catedral no dia 11 de outubro de 1908. A
cerimônia de recebimento do pálio como arcebispo,
formalidade ritual, somente ocorrerá bem depois, em
29 de junho de 1909, na matriz de Petrópolis,
celebrada pelo mesmo núncio e com a presença do
cardeal Arcoverde..." Neste 29 de junho de 2007, dom
Odilo Scherer recebe em Roma, o pálio da mãos do
Papa Bento 16. Noventa e nove anos se passaram. Dom
Odilo é o sexto arcebispo da cidade. Ele chega e nos
convoca a todos para celebrar os cem anos desta
Arquidiocese que mantém- e firme em sua missão de
evangelizar São Paulo.
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