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Centenário da Arquidiocese de São Paulo |
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Para nova Arquidiocese, nova catedral foi erguida
No dia 25 de janeiro de 1912, três anos e meio após a criação da Província Eclesiástica de São Paulo e a conseqüente mudança da Igreja de São Paulo de diocese para Arquidiocese, aconteceu a primeira reunião em que se decidiu a construção de uma nova catedral de São Paulo, a mesma que hoje aponta suas torres para o céu convidando a cidade à transcendência, à comunhão com Deus. Decidida a construção, no dia 6 de julho de 1913 foi lançada a pedra fundamental. O projeto é do arquiteto e professor de Arquitetura da Escola Politécnica o alemão Maximilian Emil Hehl. Quarenta anos depois, no dia 25 de janeiro de 1954, era inaugurada a catedral, quando a cidade comemorava o seu quarto centenário. Foi uma inauguração feita às pressas, é verdade, faltavam as duas torres principais. A Arquidiocese passou então a ter a sua catedral definitiva que, restaurada e concluída no arcebispado de dom Cláudio Hummes (1998-2006), é um orgulho para a comunidade católica da cidade. Vale lembrar um pouco a história das catedrais da cidade. Em 1591, foi instalada a primeira versão do que seria a Catedral da Sé. A escolha do terreno foi feita pelo cacique Tibiriçá. A construção foi feita em taipa de pilão, processo em que se socavam barro e palha entre toras de madeira. É bom que se diga que não era uma catedral ainda. Afinal de contas, a Diocese de São Paulo só seria criada em 1745. Aí sim, a velha matriz ganhou o título de catedral. Logo depois, porém, se chegou à conclusão de que a diocese recém-instalada necessitaria de uma nova Sé, de uma nova catedral. Em 1745, portanto, começou a construção da segunda matriz da Sé, no mesmo terreno da primeira. Ao lado dela, uma outra Igreja dedicada a São Pedro da Pedra. Os dois templos, porém, tiveram de er demolidos. Era preciso alargar a praça da Sé e, na praça, praça, a nova catedral, a que hoje contemplamos com orgulho ali, bem perto da Capela do Colégio que deu início à cidade de São Paulo. A construção da catedral teve lances interessantes. As pedras que formavam as paredes eram trazidas da Itália para o Brasil em navios. Até que um navio carregado de pedras naufragou e se decidiu usar o novo granito brasileiro. Monsenhor Antônio Trivinho recorda seus passeios pelo centro da cidade quando se divertia vendo o movimento dos trabalhadores burilando os blocos de granito. Encantava ver a participação de movimentos, associações no esforço de concluir as obras, ver também as listas de ontribuições recolhidas para que o monumento fosse concluído. O Arquivo Metropolitano conserva os registros desse esforço do povo de Deus. Em conjunto com a bonita história da construção do templo há outras histórias não menos fascinantes. Ela foi transformada em local onde pessoas de diferentes credos, lideradas por dom Paulo Evaristo Arns, começaram a dizer de forma mais explícita um não à ditadura militar. Ela aponta suas torres para o céu como a dizer que esta cidade não pode ser apenas cidade dos homens. Tem que ser também cidade de Deus. Com o crescimento da cidade para cima e para os lados, ela necessitou de transporte de massa. E veio o metrô. Ao lado da Catedral a imensa estação da Sé, engolindo e liberando milhões de pessoas diariamente. E o trepidar dos trens acabou por provocar preocupantes rachaduras nas paredes do grandioso templo. As talvez providenciais rachaduras fizeram o sexto arcebispo, o cardeal Hummes, empreender não só a reforma, mas a conclusão do templo com queria o projeto inicial. Mas aí já são outras histórias. Fica aqui o registro de mais uma iluminação de dom Duarte Leopoldo e Silva, o primeiro arcebispo desta centenária Arquidiocese: dar início às obras de uma grandiosa e definitiva catedral.
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