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Pastoral da Ecologia e do Meio-Ambiente |
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Carta ao Governador São Paulo, 2 de maio de 2004.
Ex.mo Sr.! Dr. Geraldo Alckimin DD. Governador do Estado de São Paulo
Neste ano de 2004, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil realiza a Campanha da Fraternidade com o tema Água, fonte da Vida, que está levando, com sucesso, não só a Igreja mas a sociedade como um todo e também os Governos a aprofundarem o assunto, num esforço comum para viabilizar urgentes medidas para que a água, um bem vital e limitado, não venha a faltar; e para que o ecossistema seja preservado e salvo da devastação que vem, irracional e insensatamente, ocorrendo. Vai nascendo também, em diversas dioceses, a Pastoral da ecologia e do meio-ambiente, que tem atuado a partir de alguns pressupostos: reflexão sobre o aspecto bíblico e teológico da criação divina; conscientização acerca da necessidade da preservação; realização de gestos concretos como a coleta seletiva do lixo, o plantio de árvores, descimentar parte dos terrenos; diálogo com os órgãos de Governo. Tem havido diálogo e alguma parceria na esfera municipal. Porém, tem sido grande a preocupação com a situação do Estado de São Paulo, ainda que somente constatando aspectos exteriores e mais evidentes, como por exemplo: - o assoreamento dos rios e conseqüente morte dos mesmos devido à destruição das matas ciliares, conforme os jornais têm com freqüência anunciado; - a completa eliminação das matas com sua vegetação original e diversificada (e conseqüentemente também da fauna) em áreas dominadas pela monocultura, especialmente nas regiões de canaviais, ao que se acrescente o arcaico e destruidor método de queimada da cana; - a imensa plantação de eucalipto, não obstante sua conhecida propriedade de ressecar e depauperar o solo; - a destruição da mata atlântica com sua rica biodiversidade; - a ocupação irregular e indiscriminada do solo para fins de moradia, destruindo principalmente os mananciais; - a degradação dos rios, poluídos pelos esgotos, material tóxico e lixo de toda espécie. O Governo do Estado poderia destinar recursos financeiros, tecnológicos e humanos que possui, com a participação da população, para promover o reflorestamento do Estado; empreendendo medidas que seriam elementares diante de tudo o que o Estado de São Paulo representa para a nação, tais como: - educação ambiental de forma sistemática para crianças e jovens nos currículos escolares; - conscientização com vistas à mudança de mentalidade da população adulta, sobretudo através dos meios de comunicação social, especialmente a televisão; - geração de emprego e renda na contratação de mão-de-obra para plantio, reflorestamento, fiscalização; - incentivo ao voluntariado e à criação de Reservas Particulares de Proteção Ambiental (RPPA) e conseqüente turismo ecológico; - combate à impunidade para crimes ambientais praticados pelos detentores de grande poder econômico; - plantio de árvores ao longo das auto-estradas e seus respectivos anéis viários. Agradecendo sua atenção, a Igreja coloca-se à disposição de V. Ex.cia, no desejo de colaborar para a que a atual e as futuras gerações possam ter vida com qualidade e dignidade, a partir dos valores pautados pela ética e pelo respeito, Atenciosamente, Bispos do Regional Sul I - CNBB |
.: III. Problemas ambientais da cidade de São Paulo .: O que é? .: Quem são os agentes humanos e sociais? .: Para quê? Que resultados pretende obter? .: Atividades pastoral da ecologia – Região Belém .: Compromissos da Pastoral da Ecologia .: Carta ao Governador - 2 de maio de 2004 .: Santa Sé - «Decálogo católico» sobre ética e meio ambiente .: Saber Cuidar - Leonardo Boff
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