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História da Arquidiocese de São Paulo
PRIMEIRA
FASE DA DIOCESE (1745 a 1824)
SEGUNDA FASE DA DIOCESE (1824 a 1938)
TERCEIRA FASE DA DIOCESE (1920 a 1964)
QUARTA FASE DA DIOCESE (1964 até 1998)
QUINTA
FASE DA DIOCESE (1998 até hoje)
PRIMEIRA
FASE DA DIOCESE (1745 a 1824)
No período
de 1745 até 1824 vivemos a fase das lutas pela independência da coroa
portuguesa e a teologia liberal que impregnará os padres e bispos da
época. É tempo de revoltas em toda a colônia com revoluções comandadas
inclusive por padres como Frei Caneca na Confederação do Equador no
Pernambuco.
Havia uma
forte reivindicação de uma Igreja nacional e o ideal de liberdade e
emancipação do jugo português vai crescendo até a emancipação. Os grandes
senhores agrícolas se estabelecem em torno da cana de açúcar e o trabalho
escravo vê reforçado sua crueza no massacre de milhões de africanos
trazidos à força pelos navios negreiros. Nações inteiras como os nagôs,
bantus, iorubás e jejes são escravizados e forçados pela Igreja a
abandonar suas religiões tradicionais africanas assumindo sob o chicote o
batismo cristão.
São Paulo
teve como bispos neste período Dom Bernardo Rodrigues Nogueira (15.07.1746
- 07.11.1748), Dom Frei Antonio da Madre de Deus Galvão, ofm (28.06.1751 -
19.03.1764), Dom Frei Manuel da Ressurreição (07.12.1771 - 21.10.1789),
Dom Mateus de Abreu Pereira (04.11.1795 - 05.05.1824), todos de origem
portuguesa.
Este último participou ativamente e assiduamente dos acontecimentos
políticos e da Independência do Brasil. Apoiou claramente a independência
com o apoio do Cabido e do clero paulista. Fez parte do triunvirato que
governou São Paulo. Mesclava idéias regalistas e liberais.
SEGUNDA FASE DA DIOCESE (1824 a 1938)
No período de 1824 até 1938 vivemos o período da reforma católica da
Igreja. A sociedade vive o período da revolução industrial nascente e da
expansão capitalista. O fenômeno migratório que sempre caracterizou a
geopolítica nacional vê-se agora marcado pela imigração de assalariados
alemães, espanhóis e italianos. A Igreja vive a crise da formação do
Estado liberal e o final do império, com forte característica clerical. É
a reforma tridentina enfim chegando com força em terras brasileiras. É a
nova cristandade convivendo com a luta abolicionista e a maçonaria. São
Paulo passa neste período de 80 mil negros escravos a contar 174 mil
escravos, particularmente nas fazendas de café. Em 1852, começam a chegar
suíços trazidos para Rio Claro e em seguida alemães e italianos. No dia 18
de julho de 1908, pelo navio Kasato Maru, os imigrantes japoneses chegarão
ao interior paulista, instalando-se na linha Mogiana, introduzindo um novo
mundo de relações, línguas, costumes e diferenças étnicas e religiosas.
Vieram 300 mil alemães, cerca de 60 % luteranos principalmente para o sul
do país. Nesta fase chegam os dissidentes da Igreja anglicana, e os
templos de Igrejas protestantes são construídos em São Paulo a partir de
1871 sendo que em 1910 chegam os pentecostais.
No dia 03 de julho de 1858 começava a funcionar o Cemitério da Consolação,
por ocasião da epidemia da varíola. Este era o primeiro cemitério
organizado pela municipalidade. Entre 1775 e 1858 os cadáveres de escravos
e indigentes eram amontoados em buracos abertos na rua dos Aflitos, no
atual bairro da Liberdade.
Cinqüenta e dois por cento dos 580 mil habitantes da cidade, empregados
como mão de obra na indústria paulistana em 1920 eram estrangeiros. A
cidade de terra e barro é destruída e o tijolo torna-se o novo material
das casas e igrejas. Em seguida o cimento armado. É a revolução das
estruturas e arquiteturas.
São Paulo teve como bispos deste período: Dom Manoel Joaquim Gonçalves
Andrade (11.11.1827 - 26.05.1847), Dom Antonio Joaquim de Mello, primeiro
brasileiro (14.06.1852 - 16.02.1861), Dom Sebastião Pinto do Rego
(10.06.1862 - 30.04.1868), Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho
(07.01.1873 - 19.08.1894), quando foram criadas as novas dioceses de Porto
Alegre (1848), de Curitiba (1892), de Pouso Alegre (1900), e de
Florianópolis (1906), ficando a diocese de São Paulo reduzida ao
território do Estado de São Paulo; Dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque
Cavalcanti (30.09.1894 - 24.07.1897), Dom Antonio Candido de Alvarenga
(25.03.1899 _ 01.04.1903), Dom José de Camargo Barros (24.04.1904 -
04.08.1906), e Dom Duarte Leopoldo e Silva (14.04.1907 - 13.11.1938).
Durante seu governo inicia-se a construção da nova catedral em 1913 e São
Paulo é elevada à categoria de arquidiocese, por decreto do Papa Pio X,
quando são criadas de seu território as dioceses de Botucatu, Campinas,
Ribeirão Preto e Taubaté, envolvendo a diocese de Curitiba como sufragânea
até esta ser também elevada a Arquidiocese em 10 de maio de 1926.
TERCEIRA FASE DA DIOCESE (1920 a 1964)
Vive-se desde 1920 até 1964, a teologia da restauração católica, tendo
como expoente o Cardeal D. Sebastião Leme do Rio de Janeiro. A Ação
Católica se instala e cresce em todo o país, gerando filhos de porte
intelectual como Alceu de Amoroso Lima. A ditadura militar de Getúlio
Vargas de 1937-1945 encontra uma Igreja acomodada. O período populista e
desenvolvimentista gerara a Democracia Cristã e uma teologia da
neo-cristandade, seguida da teologia da recristianização da sociedade pela
força do laicato organizado. Ao período das revoluções na década de 20,
seguem-se as lutas por reformas sociais dos anos 30 e 40 até chegarmos ao
golpe militar perpetrado em 1964. O fenômeno da urbanização marca a cidade
de São Paulo que busca atender e responder de maneira tímida aos imensos
desafios do urbano e da cultura emergentes.
Em 1940 a cidade possui 1.330.000 habitantes e segundo o censo, o Estado
de São Paulo detinha 43 % da produção industrial e 35 % dos operários de
todo país.
Foram arcebispos desta fase: Dom José Gaspar D'Afonseca e Silva
(17.09.1939 - 27.08.1943), Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota
(30.08.1944 - 25.04.1964).
O Cardeal Motta instalou a PUC em 02.09.1946 e inaugura a atual Catedral
em em 25.01.1954. Iniciou em 20.04.1951 a Campanha "Uma Igreja em cada
bairro", inaugura em 02.03.1956 a Rádio 9 de Julho fechada em 1973 pela
ditadura militar e lança o primeiro número do jornal semanal "O São Paulo"
em 25.01.1956. Em 1954, no IV Centenário da cidade, o Estado de São Paulo
possuia 14 dioceses e a população da nossa Arquidiocese era estimada em
mais de três milhões, o que a colocava como a maior do Brasil e segunda da
América do Sul. Contava com 203 sacerdotes diocesanos num vastíssimo
território com vários municípios da grande São Paulo.
QUARTA FASE DA DIOCESE (1964 até 1998)
A partir de
1964 até 1998 a Igreja brasileira vive sob o signo da teologia da
libertação e da opção preferencial pelos pobres. É período de renovação da
teologia bíblica, de distanciamento do poder político, particularmente no
pastoreio de Dom Paulo Evaristo Arns. É o momento do surgimento das CEBs e
da valorização dos movimentos sociais emergentes e de resistência face à
ditadura militar. Da Igreja das catacumbas até a conquista da cidadania, a
Igreja paulopolitana assume o rosto dos pobres e muda de lugar social
assumindo a causa dos pequenos.
Deste período temos como pastores: Dom Agnelo Rossi (01.11.1964 -
22.10.1970) e Dom Frei Paulo Evaristo Arns, ofm (01.11.1970 - 14.04.1998).
Assim que assume a diocese Dom Paulo incrementa fortemente a participação
dos leigos nos passos do Concílio Vaticano II. Realiza a Operação
Periferia, vendendo seu palácio Episcopal e assume destemida defesa dos
direitos humanos constantemente violados pela ditadura militar. Torna-se
voz dos sem voz e arauto da justiça social em nossa pátria. É de sua
responsabilidade a edição do "Brasil, nunca mais", marco na luta contra a
tortura.
Cria novas regiões episcopais, realiza amplo plano de pastoral urbana e
lança as bases para a ação colegiada na grande metrópole de São Paulo.
Criou as condições essenciais para a entreajuda do projeto "Igrejas-irmãs".
Nestes últimos 25 anos Dom Paulo cria 43 paróquias e incentiva e apoia o
surgimento de mais de 2000 comunidades de base nas periferias da metrópole
paulistana, particularmente nas atuais dioceses sufragâneas de São Miguel,
Osasco, Campo Limpo e Santo Amaro, além das regiões de Belém e de
Brasilândia. Esta era a resposta eficaz e efetiva ao crescimento
desordenado, à miséria e à migração constante para a capital de São Paulo.
Em 1975 tem como bispos auxiliares, Dom José Thurler, Dom Benedito de
Ulhôa Vieira, Dom Francisco Manuel Vieira, Dom Mauro Morelli, Dom Joel Ivo
Catapan e Dom Angélico Sândalo Bernardino, cada qual assumindo uma das
seis regiões episcopais, divididas em setores de pastoral com autonomia e
dinâmica próprias. Ainda serão escolhidos Dom Luciano Mendes de Almeida,
Dom Alfredo Novak, Dom Antonio Celso Queiroz, Dom Fernando Penteado, Dom
Antonio Gaspar e Dom Décio Pereira.
Cada setor deverá assumir e articular as quatro prioridades escolhidas
pelo povo: Comunidades eclesiais de base, Direitos humanos e
Marginalizados, Mundo do Trabalho e Pastoral da Periferia.
A arquidiocese começa a agir de acordo com planos de pastoral, nos moldes
da CNBB, fixando a cada dois anos e depois a cada 4 anos objetivos e
prioridades pastorais para garantir eficácia e unidade pastoral
evangelizadora. Hoje estamos no sétimo plano válido para os anos de 1995 a
1998. Sempre motivados pelo lema: De esperança em esperança. As atuais
prioridades são: Saúde, Moradia, Mundo do Trabalho e Educação. Depois de
inúmeras divisões de seu território a Arquidiocese têm a seguinte
configuração no ano de 1995: Existem atualmente em 1995, seis regiões
episcopais, cincoenta setores de pastoral, três vicariatos ambientais, 261
paróquias territoriais e pessoais, dez santuários, 461 comunidades
eclesiais de base, 25 pastorais articuladas na cidade, 36 movimentos de
leigos, coordenados por dezenas de ministros e ministras leigas, com o
apoio também ministerial de 2337 religiosas, 771 sacerdotes diocesanos e
religiosos, 59 seminaristas, seis bispos auxiliares e o pastor diocesano,
Dom Paulo Evaristo Arns. A arquidiocese compreende somente 635.33 Km² dos
1509 Km² do Município. A população em 1995 é estimada em nove milhões de
habitantes.
QUINTA
FASE DA DIOCESE (1998 até hoje)
Dom Cláudio
Hummes foi nomeado em 15.04.1998 Arcebispo de São Paulo e tomou posse em
23.05.1998.
Foi criado Cardeal Presbítero do Título de Santo Antônio de Pádua na Vila
Merulana em 21.02.2001, pelo Papa João Paulo II.
O Papa
Bento XVI nomeou, em 30 de outubro de 2006, Sua Eminência Cardeal Cláudio Hummes, OFM
para Prefeito da Congregação para o Clero.
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