Semanário da Arquidiocese de São Paulo - Ano 53 • nº 2695 • 29 de abril de 2008

Edição 29.abr.2008

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Paulo Cesar Pedrini é agente da Pastoral Operária de São Paulo

1º de Maio é dia de luta!

 

A classe trabalhadora continua vivendo sob precárias condições. A manutenção de um modelo econômico que privilegia o pagamento de juros aos bancos e especuladores impede a realização de investimentos nas áreas sociais. O serviço público (saúde, educação, moradia, transporte, saneamento) permanece sendo desmontado, com prejuízo aos servidores e à grande maioria da população. Os direitos da classe trabalhadora são retirados, seja por meio de reformas, seja por meio de medidas provisórias, ou mesmo através de terceirizações. Apesar disso, os trabalhadores resistem. Os sem- eto realizam importantes jornadas em defesa da moradia popular. Os sem-terra continuam na luta por reforma agrária e contra as multinacionais. Os metalúrgicos da GM de São José dos Campos rejeitaram a redução de direitos, e os servidores estão lutando contra os ataques do governo. Enquanto isso, a Força Sindical e a CUT, ao invés de lutarem, irão realizar shows e sorteios no 1º deMaio; esses shows são financiados por  grandes empresas, bancos e estatais, as mesmas que exploram os trabalhadores. Farão atos festivos para apoiar o governo e tentar enganar (porque traem) o povo. Neste ano, o 1º de Maio de luta na praça da Sé resgata os 40 anos do histórico 1º de maio de 1968, no qual em plena ditadura militar os trabalhadores derrubaram o palanque dos pelegos e expulsaram o governador biônico, para reafirmar a independência da classe e a luta pelo retorno das liberdades democráticas. Os governos e os poderosos não admitem a luta do nosso povo em defesa de melhores condições de vida, os movimentos sociais que lutam organizadamente são tratados como criminosos pelo governo e patrões. Ainda assim, sabemos que só a luta muda a vida, para defender emprego e salários dignos, moradia decente para todos, reforma agrária e mudanças reais na economia para construir um Brasil que dê perspectivas de vida para nossa juventude. É nessa lógica que acontecerá o 1º de Maio na Sé, sem governo e nem patrão, e reafirmando a necessidade e construir uma sociedade  justa e igualitária. A vitória do ex-bispo Fernando Lugo, fervoroso defensor da Teologia da Libertação, também nos enche de sperança  de que esse país irmão encontre o caminho da justiça social, já que o Partido Colorado, que governou o país por mais de 60 anos (inclusive nos 35 anos da ditadura militar do general Stroessner), levou o Paraguai a ser um dos mais pobres da América Latina. Todos à praça da Sé e um grande 1º de Maio de luta!

   

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