Semanário da Arquidiocese de São Paulo - Ano 53 • nº 2707 • 22 de julho de 2008

Edição 22.jul.2008

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Escolham a vida!

 

No dia 18, dentro da 23ª Jornada Mundial da Juventude, Bento 16 fala a jovens que lutam para se libertarem das drogas. Um exemplo elucidativo do que significa afastar-se do caminho da morte para tomar o caminho da vida encontramo-lo numa página do Evangelho que todos vós – estou certo – bem conheceis: a parábola do filho pródigo. Ao início da narração, quando aquele jovem deixou a casa de seu pai, andava à procura dos prazeres ilusórios prometidos pelos falsos “deuses”. Dissipou a sua herança numa vida de vícios, acabando num estado de abjeta pobreza e de miséria. Tendo tocado o fundo, esfomeado e abandonado, compreendeu como tinha sido tonto em deixar seu pai que o amava. Humildemente regressou a casa e pediu perdão. Cheio de alegria, o pai abraçou-o e exclamou: “Este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e encontrou- e” (Lc 15, 24). Muitos de vós experimentaram pessoalmente a vivência por que passou aquele jovem. Talvez tenhais feito escolhas de que agora vos lamentais, decisões essas que vos levaram por um caminho que, embora então pudesse apresentarse como atraente, na verdade conduziu- vos apenas para um estado ainda mais profundo de miséria e solidão. A decisão de abusar de droga ou álcool, de entrar em atividades criminosas ou autolesivas pôde então aparecer como um caminho para sair duma situação de dificuldade ou de confusão. Agora sabeis que, em vez de trazer a vida, levou à morte. Reconheço de bom grado a coragem demonstrada quando decidistes regressar ao caminho da vida, precisamente como o jovem da parábola. Aceitastes a ajuda: dos amigos ou dos familiares, do pessoal do programa «Alive», de quantos têm vivamente a peito o vosso bemestar e a vossa felicidade. Em vós, queridos amigos, vejo embaixadores de esperança para quantos se encontram em idênticas situações. Podeis convencê-los da necessidade de optar pelo caminho da vida e fugir do caminho da morte, porque falais com base na experiência. Em todos os quatro Evangelhos, vemos aqueles que tomaram decisões erradas ser particularmente amados por Jesus, porque, quando se deram conta do seu erro, abriram-se mais do que os outros à sua palavra regeneradora. Na verdade, Jesus foi freqüentemente criticado por pseudo-justos, porque passava demasiado tempo em companhia de tais pessoas. “Como é que o vosso Mestre come com os publicanos e os pecadores?” – perguntavam. E Ele respondia: Não são os que têmsaúde que precisam do médico, mas sim os doentes; (…) não vim chamar os justos mas os pecadores” (cf. Mt 9, 11-13). Aqueles que desejavam reconstruir a sua vida eram os que se mostravam mais disponíveis para ouvir Jesus e tornar-se seus discípulos. Vós podeis seguir as suas pegadas e sentir uma particular proximidade a Jesus, precisamente porque decidistes regressar a Ele. Podeis estar certos de que Jesus, como fez o Pai na narração do filho pródigo, acolhe-vos de braços totalmente abertos. Oferece-vos o seu amor incondicional: e é na profunda amizade com Ele que se encontra a plenitude da vida. Disse atrás que, ao amarmos, amos satisfação às  nossas carências mais profundas e tornamo-nos mais nós mesmos, tornamo-nos humanos de forma mais plena. Amar é aquilo para que estamos programados, aquilo para que fomos projectados pelo Criador. Naturalmente não estou a falar de relações passageiras,  uperficiais; falo do verdadeiro amor, que é o cerne da doutrina moral de Jesus: «Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças» e «amarás o teu próximo como a ti mesmo» (cf. Mc 12, 30- 1). Tal é, por assim dizer, o programa consolidado no íntimo de cada pessoa, bastando-nos ter a sabedoria e a generosidade para nos conformarmos a ele, estar dispostos a renunciar às nossas preferências para nos colocarmos ao serviço dos outros, dar a nossa vida pelo bem dos outros e, em primeiro lugar, por Jesus que nosamou e deu a sua vida  por nós. Isto é o que os homens sãochamados a cumprir; é o que significaestar realmente “vivo”.Prezados jovens amigos, a mensagem que hoje vos dirijo é a  mesma que Moisés formulou há tantos anos: “Escolhe a vida, para que possas, tu e a tua posteridade, viver amando o Senhor teu Deus”. Que o seu Espírito vos guie pelo aminho da vida, obedecendo  aos seus mandamentos, seguindo os seus ensinamentos, abandonando s opções erradas que só levam à morte ecomprometendo-vos a ser  amigos de Jesus Cristo para toda a vida. Com a força do Espírito Santo, escolhei a vida, escolhei o amor e sede diante do mundo testemunhas da alegria que daí jorra. Esta é a minha oração por cada um de vós nesta Jornada Mundial da Juventude. Deus vos abençoe a todos!

  

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