|
|
|
Encontro
com o
Pastor

Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer
Arcebispo metropolitano de São Paulo
Não mexam na família!
No domingo, 10 de agosto, comemoramos o Dia dos Pais
e nossas atenções voltaram-se para os pais que,
merecem nossa sincera homenagem e apreço. Parabéns
aos pais, que assumem corajosamente sua paternidade
e se esforçam para proporcionar aos filhos que
geraram tudo aquilo que precisam para se
desenvolverem como membros dignos da grande
comunidade humana. Homenagem também a tantos pais
que têm dificuldades para dar aos filhos o que
precisam; lembrem sempre que a riqueza maior para os
filhos é a presença, o carinho e o bom exemplo do
pai. Esta é também a semana da família, promovida
todos os anos pela Conferência Nacional dos Bispos
do Brasil em agosto, mês das vocações; com isso, a
Igreja sinaliza que casar e formar família, além de
ser um direito natural de toda pessoa, também é uma
“vocação”. Numa visão de fé sobre a existência
humana, entendemos que Deus chama, de modo
misterioso, o homem e a mulher a viverem o amor
humano no casamento e na família e a colaborarem na
obra de sua criação, dando vida a novas criaturas
humanas. Por isso, a Igreja confirma e abençoa os
matrimônios e associa os casais cristãos à sua
própria missão na difusão do Evangelho de Cristo. A
Igreja proclama que o casamento nos planos divinos é
caracterizado pela união entre um homem e uma mulher,
que se unem por amor sincero e para toda a vida,
estando dispostos também a acolher os filhos gerados
nesta união. Sabemos que existem hoje, como sempre
existiram ao longo da história, outras idéias a
respeito do casamento; e também sempre houve pressão
sobre a Igreja para que ela modificasse seu
ensinamento sobre o casamento e a família, sobretudo
em relação à indissolubilidade (divórcio) e à
unidade (poligamia) do casamento. A Igreja, no
entanto, mantém-se fiel aos ensinamentos de Cristo:
quando lhe perguntaram, se era lícito ao homem
divorciar-se de sua mulher, ele respondeu: “não foi
assim que Deus quis no princípio... Portanto, não
separe o homem o que Deus uniu” (cf Mt 19,8). A
Igreja não desconhece as dificuldades e os
sofrimentos de muitos casais, que vivem numa união
considerada irregular; mesmo não podendo legitimar
essas situações, pois estaria agindo contra o
ensinamento de Cristo, ela não condena esses casais
nem os exclui da participação da vida da Igreja, mas
os acompanha com solicitude e os acolhe e encoraja a
viverem sua fé naquilo que é possível; e muito é
possível! Encoraja também os casais católicos, que
vivem juntos sem estarem casados, a procurar sua
paróquia para a celebração do casamento diante de
Deus e da Igreja. E incentiva os casais jovens a se
prepararem bem e a realizarem com plena consciência
e responsabilidade o seu casamento. É preocupante
que o casamento religioso esteja sendo valorizado
sempre menos, até nas famílias católicas! É um valor
importante da fé e da vida cristã que está sendo
deixado de lado. Atualmente, há novas pressões sobre
o casamento e a instituição familiar. No Brasil está
sendo elaborado o Estatuto das Famílias (Projeto de
Lei nº 2285/2007), com alguns aspectos preocupantes.
Não há dúvida que a família deve merecer as atenções
do Estado e dos seus poderes representativos; a
elaboração desse Estatuto, no entanto, precisa ser
acompanhada de maneira atenta pela sociedade e as
organizações familiares ligadas à Igreja; a família
natural não deveria sair descaracterizada, nem
deveriam ser perdidos os princípios
fundamentais que regem a família humana. Se todas as
formas de união e de não-união forem igualmente
consideradas família, ficará prejudicada e
comprometida a família natural e poderemos ter
conseqüências enormes para a convivência humana. O
próprio Estado acabará por assumir atribuições que
cabem, normalmente, à família; e sabemos bem que o
Estado não é pai nem mãe ou irmão, nem dá carinho a
ninguém. A família natural, formada a partir da
união de um homem e de uma mulher, cumpre uma função
social e humana insubstituível. A sabedoria
experimentada pelo tempo ensina que a família é a
célula básica da sociedade; se for amparada no
ordenamento jurídico e por boas políticas públicas,
ela assegura de maneira eficaz a saúde do corpo
social. Poderíamos dizer também que a família é a
“célula tronco embrionária” de todo o corpo social;
ela tem um potencial enorme e dela derivam a
vitalidade e o dinamismo de todo os organismos da
comunidade humana. Mas se esta célula for mexida e
descaracterizada e se passarmos a experimentalismos
com o casamento e a família, ninguém sabe onde isso
vai acabar. É melhor respeitar a natureza
instituição familiar e ampará-la devidamente, para
que possa desenvolver-se e assumir bem aquilo que é
próprio dela.
|
|
veja as últimas
notícias do jornal
O São Paulo

Tempo e Temperatura
|