Semanário da Arquidiocese de São Paulo - Ano 53 • nº 2723 • 11 de novembro de 2008

Edição 11.nov.2008

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O templo de tijolos simboliza

a Igreja viva

 

 

 

Caros irmãos e irmãs! A liturgia nos faz celebrar hoje a Dedicação da Basílica Lateranense, chamada de “mãe e cabeça de todas as Igrejas da Urbe e do Orbe”. De fato, esta basílica foi a primeira a ser construída depois do edito do imperador Constantino que, em 313, concedeu aos cristãos a liberdade de praticar sua religião. O mesmo imperador doou ao Papa Melquíades a antiga posse da família dos Lateranos e fez edificar a Basílica, o Batistério e o Patriarchio, isto é, a residência do Bispo de Roma, onde os Papas habitaram até o período avinhonês. A dedicação da Basílica foi celebrada pelo Papa Silvestre em 324 e o templo foi intitulado ao Santíssimo Salvador; só depois do século VI foram acrescentados os títulos dos Santos João Batista e João Evangelista, daí a denominação comum. Este fato interessou primeiramente só a cidade de Roma; depois, a partir de 1565, estendeu-se a todas as Igrejas de rito romano. De tal modo, honrando o edifício sacro, tenta-se exprimir amor e veneração pela Igreja romana que, como afirma Santo Inácio de Antioquia, “preside a caridade» de toda comunhão católica” (Aos Romanos, 1, 1). A Palavra de Deus nesta solenidade reforça uma verdade essencial: o templo de tijolos é símbolo da Igreja viva, a comunidade cristã, que já os Apóstolos Pedro e Paulo, em suas cartas, entendiam como “edifício espiritual”, construído por Deus com as “pedras vivas” que são os cristãos, sobre o único fundamento que é Jesus Cristo, comparado, por sua vez, à “pedra angular” (cf. 1 Cor 3, 9-11.16-17; 1 Pd 2, 4-8; Ef 2, 20-22). “Irmãos, sois edifício de Deus”, escreve São Paulo. Deus quer construir no mundo um edifício espiritual e acrescenta: “santo é o templo de Deus, que sois vós” (1 Cor 3, 9c.17). A beleza e a harmonia das igrejas, destinadas a render louvores a Deus, convida também nós, seres humanos, limitados e pecadores, a converter- nos para formar um «cosmo», uma construção bem ordenada, em estreita comunhão com Jesus, que é o verdadeiro Santo dos Santos. Isso vem de modo culminante na liturgia eucarística, no qual a “ecclesìa”, isto é, a comunidade dos batizados, encontra- se unida para escutar a Palavra de Deus e para nutrir-se do Corpo e Sangue de Cristo. Em torno desta dúplice mesa, a Igreja de pedras vivas se edifica na verdade e na caridade e é interiormente plasmada pelo Espírito Santo, transformando-se naquilo que recebe, conformando-se sempre mais ao seu Senhor Jesus Cristo. Essa mesma, se vivida na unidade sincera e fraterna, torna-se assim sacrifício espiritual agradável a Deus. Caros amigos, a festa de hoje celebra um mistério sempre atual: Deus quer edificar no mundo um templo espiritual, uma comunidade que o adore em espírito e verdade (cf. Jo 4, 23-24). Mas este fato nos recorda também a importância dos edifícios materiais, nos quais a comunidade se reúne para celebrar os louvores a Deus. Cada comunidade tem, portanto, o dever de guardar  com cuidado os próprios edifícios sacros, que constituem um precioso patrimônio religioso e histórico. Invocamos, por isso, a intercessão de Maria Santíssima, para que nos ajude a tornar-nos, como Ela, “casa de Deus”, templo vivo de seu amor.

  

 

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