Semanário da Arquidiocese de São Paulo - Ano 53 • nº 2723 • 11 de novembro de 2008

Edição 11.nov.2008

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Padre Paulo Gozzi, sss, é responsável pela dimensão do ecumenismo na Região Santana

 

Caminhos de comunhão

 

A palavra comunhão é muito usada no trabalho ecumênico, mas nem sempre o seu sentido é aprofundado. Entendemos comunhão como união de todos, comum união, unidade de pessoas em torno de um ideal. Ser Igreja é o mesmo que ser comunhão. Nossa unidade não é de um amontoado de pessoas, que ao se aglomerarem formam uma grande massa humana... Os laços de conexão que temos uns com os outros são, em primeiro lugar, a fé, a esperança e o amor. Nós somos um porque, no Espírito, estamos em comunhão com o Filho e, nele, em comunhão com o Pai. Temos união comum também ao expressar nossa fé pelos sacramentos e, ainda, pela ligação que temos com nossos pastores e estes entre si, numa profunda comunhão hierárquica. São dois tipos de comunhão: comunhão espiritual, invisível, mística, e comunhão material, visível e sacramental. Mas existem muitos graus de comunhão. Desde que nossa Igreja Católica despertou para o ecumenismo, adotamos em todos os documentos o conceito de comunhão parcial, incompleta, imperfeita, e o de comunhão total, completa e perfeita. No diálogo, quando tocamos nesse assunto, alguns irmãos de outras Igrejas dizem: “Bom, não queremos ficar só na comunhão espiritual... É preciso comunhão visível, para que todos percebam pelos sinais exteriores nossa unidade interior. Tudo bem, mas comunhão plena e perfeita só é possível no Céu!”. Mas quando nós, católicos, falamos da comunhão em plenitude, queremos dizer que nada fica faltando para a Igreja ser completa e realizar a sua missão na Terra. O mistério da Igreja compõese de muitos elementos, dons da graça e meios de salvação. Cremos com toda sinceridade e dizemos com toda honestidade que todos esses elementos já estão presentes integralmente em nossa Igreja, ao passo que em outros grupos cristãos alguns estão faltando... Ao mesmo tempo em elementos, que conduzem à salvação e edificam a Igreja, acham-se presentes entre eles, alguns ainda estão faltando. Diz João Paulo 2º, interpretando o Concílio [Vaticano 2º]: “Esses elementos existem incorporados na sua plenitude na Igreja Católica e, sem tal plenitude nas outras Comunidades, nas quais certos aspectos do mistério cristão foram, por vezes, mais eficazmente manifestados. O ecumenismo busca precisamente fazer crescer a comunhão parcial existente entre os cristãos até a plena comunhão na verdade e na caridade” (“Ut Unum sint”, 14).

             

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