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Pastorais

Padre Paulo Gozzi, sss, é responsável pela dimensão
do ecumenismo na Região Santana
Caminhos de comunhão
A palavra comunhão é muito usada no trabalho
ecumênico, mas nem sempre o seu sentido é
aprofundado. Entendemos comunhão como união de todos,
comum união, unidade de pessoas em torno de um
ideal. Ser Igreja é o mesmo que ser comunhão. Nossa
unidade não é de um amontoado de pessoas, que ao se
aglomerarem formam uma grande massa humana... Os
laços de conexão que temos uns com os outros são, em
primeiro lugar, a fé, a esperança e o amor. Nós
somos um porque, no Espírito, estamos em comunhão
com o Filho e, nele, em comunhão com o Pai. Temos
união comum também ao expressar nossa fé pelos
sacramentos e, ainda, pela ligação que temos com
nossos pastores e estes entre si, numa profunda
comunhão hierárquica. São dois tipos de comunhão:
comunhão espiritual, invisível, mística, e comunhão
material, visível e sacramental. Mas existem muitos
graus de comunhão. Desde que nossa Igreja Católica
despertou para o ecumenismo, adotamos em todos os
documentos o conceito de comunhão parcial,
incompleta, imperfeita, e o de comunhão total,
completa e perfeita. No diálogo, quando tocamos
nesse assunto, alguns irmãos de outras Igrejas dizem:
“Bom, não queremos ficar só na comunhão espiritual...
É preciso comunhão visível, para que todos percebam
pelos sinais exteriores nossa unidade interior. Tudo
bem, mas comunhão plena e perfeita só é possível no
Céu!”. Mas quando nós, católicos, falamos da
comunhão em plenitude, queremos dizer que nada fica
faltando para a Igreja ser completa e realizar a sua
missão na Terra. O mistério da Igreja compõese de
muitos elementos, dons da graça e meios de salvação.
Cremos com toda sinceridade e dizemos com toda
honestidade que todos esses elementos já estão
presentes integralmente em nossa Igreja, ao passo
que em outros grupos cristãos alguns estão faltando...
Ao mesmo tempo em elementos, que conduzem à salvação
e edificam a Igreja, acham-se presentes entre eles,
alguns ainda estão faltando. Diz João Paulo 2º,
interpretando o Concílio [Vaticano 2º]: “Esses
elementos existem incorporados na sua plenitude na
Igreja Católica e, sem tal plenitude nas outras
Comunidades, nas quais certos aspectos do mistério
cristão foram, por vezes, mais eficazmente
manifestados. O ecumenismo busca precisamente fazer
crescer a comunhão parcial existente entre os
cristãos até a plena comunhão na verdade e na
caridade” (“Ut Unum sint”, 14).
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