Cúria Metropolitana de São Paulo

Vicariato da Comunicação – Arquidiocese de São Paulo

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Mensagem de Abertura da Campanha da Fraternidade de 2006

 

         Meus irmãos e minhas irmãs! Nesta Quarta-Feira de Cinzas iniciamos a Quaresma e a Campanha da Fraternidade, que se estenderão por 40 dias, até a festa da Páscoa. Trata-se de um tempo privilegiado e promissor para a Igreja. Pois, é tempo de renovação, de conversão, de evangelização e de comunhão com a Morte e a Ressurreição de Jesus Cristo. É tempo em que somos convidados a fazer um forte encontro pessoal e comunitário com Jesus Cristo, o qual nos conduzirá ao Pai, no Espírito Santo. Este encontro nos fará experimentar vivamente o amor que Deus tem por nós. Ele nos cumula com seu amor, diz o papa Bento 16 em sua primeira encíclica, e este amor “deve ser comunicado aos outros por nós”(n.1).

         A Quaresma nos introduz pouco a pouco no mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, que celebraremos no tríduo da Páscoa. Este é o mistério central de nossa fé. O Filho de Deus feito homem, Jesus Cristo, morre por nós na cruz e vence a morte, ressuscitando dos mortos ao terceiro dia, segundo as Escrituras. É um mistério de amor. Jesus, que é Deus e Homem, doa sua vida por amor ao Pai celeste e a nós, para nossa salvação. Esse amor, que doa a própria vida, vence definitivamente o pecado, cuja raiz é o egoísmo e o conseqüente afastamento de Deus. Vencendo o pecado, Jesus vence também a morte e ressuscita para uma vida plena e imortal, que nos é oferecida também a nós, se nos tornarmos seus seguidores, seus discípulos. Este é o caminho da salvação.

         Como seguidores de Jesus Cristo, nosso objetivo deve ser tornar-nos semelhantes a Ele. Esta semelhança se concretizará no acolher a Deus em nossa vida, nos entregar a Ele, deixar-nos amar por Ele e como resposta amá-lo acima de tudo e amar-nos uns aos outros, assim como Jesus nos amou, a ponto de sermos capazes de doar nossa vida por Deus e pelos outros. Nossa lei deve ser o amor. Amor a Deus e amor o próximo, que formam um só amor, no qual, como disse Jesus, se resume toda a lei e os profetas.

         Neste contexto, coloca-se a Campanha da Fraternidade, que neste ano tem por tema “Fraternidade e Pessoas com Deficiência”. Sabemos que as pessoas com deficiência sofrem ainda muitos empecilhos para exercerem plenamente sua cidadania, seus direitos e poderem participar ativamente e em igualdade de oportunidades na sociedade, dentro e nos limites de sua condição de pessoas com deficiência.

         Será necessário intensificar o combate ao preconceito que atinge essas pessoas. Depois, é preciso conhecer melhor a realidade que as atinge e condiciona, os empecilhos, as dificuldades, a falta de políticas públicas, de assistência, a falta de inclusão na sociedade. Enfim, será necessário elaborar e concretizar maior acolhida e promover maior solidariedade para com esta parcela expressiva da população. Jesus Cristo nos ensina que tudo o que fizermos por esses atingidos pela deficiência, fazemos por Ele mesmo. São nossos irmãos que carecem de atenção especial e são cidadãos de pleno direito.

         Nesta determinação de solidariedade efetiva com eles, certamente sua inclusão nas escolas e no mundo do trabalho será fundamental. Ter escolarização adequada e ter trabalho dá dignidade às pessoas e as capacita a ganhar elas mesmas o sustento de suas vidas e assim  tornarem-se protagonistas de sua história. Também é preciso dar-lhes condições de acesso aos espaço comuns da sociedade através de rampas, elevadores e outras providências.

         A Igreja convida os seus fiéis e toda a sociedade a refletir sobre isso nesta campanha e a tomar decisões práticas adequadas. Políticas públicas já existem algumas, certamente. Mas muitas outras terão que ser decididas e implementadas. Para elaborá-las deverão ser ouvidas as próprias pessoas com deficiência, através de seus representantes.

         Convido, portanto, a todos a se engajarem nesta campanha, tanto as nossas paróquias com seus grupos, como também as escolas, os meios de comunicação, as empresas, os sindicatos, o poder público e a sociedade em geral, com suas organizações. Que Deus abençoe esta campanha e nos faça progredir em caridade e solidariedade!

 

Cardeal Dom Cláudio Hummes

Arcebispo Metropolitano de São Paulo

 

São Paulo, 1º de março de 2006

Quarta-feira de Cinzas